1.4.14

Silêncios...

Era feita de pó, lágrimas, chão mortuário, de feridas espalhas ao vento, de cruzadas esgrimidas pela ponta da espada. Era apenas alguém sonhando com contos de fadas, de laços cor-de-rosa que jamais possuiu. Carregava consigo o fantasma do passado, sempre pronto para lhe dizer olá, e na outra algibeira o pó mágico com que construía sonhos de encantar, onde vivia a cantar para tornar a dura realidade um pouco mais suave, mais doce, menos penosa de suportar. Porque o medo de espreitar lá para fora era tudo que tantas vezes sentia dentro da armadura que construiu ao longo dos tempos com que enfrentava os monstros, quel Dom Quixote. Por cada laivo de carinho recebido ao longo dos tempos, amolecia o coração rodeado de muros frios, inertes, impossíveis de transpor, mas que a resguardavam do mundo, lhe davam a falsa segurança que ali não sentiria dor. Mas afinal, existem tantas dores diferentes. E a dor penetrou sempre ao longo dos tempos, mesmo quando se enchia de sorrisos, de alegrias sentidas. Vivia de fantasia, do ar que sentia entrar-lhe pelo castelo com cheiro a primavera, quando se permitia sair para passear pelos jardins. E ela era feliz com o pouco que lhe chegava aos jardins, o pouco que lhe davam, mas que era tanto para quem se contentava com o nada, o vazio.

6 comentários:

Jorge disse...

Este teu texto é magnifico...parabéns, boazona. Adorei!
Beijinhos doces
:))

(Ela) disse...

Estados de espírito recorrentes...

Beijo d'(Ela)

Cat disse...

Por vezes acontece... Faz parte do viver, do nosso crescer.

Beijo(te)

Sil Maria disse...

A minha vida dava um romance com direito a tudo incluido!




Beijo meu gato selvagem :)))

Sil Maria disse...

Há fases assim... o cinzento predomina :D





Beijo n´Ela

Sil Maria disse...

Minha Cat,
Eu sei, faz parte sim... o azul do céu apenas é lindo porque existe o negro das nuvens para fazer constraste!


Beijo[te] de volta