20.1.14

Sorves[me] o que te dou a sentir!

 
A voz... a rouquidão das palavras entremeadas de silêncios, os engolires em seco, de palavras gotejadas para dentro da alma. Lambes-me em soluços não falados, em suspiros não prenunciados, em gemidos inaudíveis pelo sentido do som. Vicias[me] sem dar conta, e envolvo-te no emaranhado racional dos sentidos sossegados. Recuo lentamente levando-te comigo numa viagem sem sentires. És presa sem saberes, numa armadilha plantada por ti... dizem as palavras que engoles em silêncio, os desejos que se esticam para fora das linhas eléctricas do telefone, és[me] mais do que julgas, sou[te] muito mais do que me dizes. São palavras a preto e branco, desenhadas cuidadosamente na tua alma, assim pé ante pé, tão levemente que não sentes o barulho com que te grito. Conjugas os mesmos verbos, falamos a mesma linguagem, camuflada por palavras de puro sentimento. Porque me és aquele que me entende para além das linhas mortas dos dias, nos pequenos gestos da lembrança, na timidez das palavras que me rodeiam de abraços, carinhos, cumplicidades e meiguices... Sabes[me] mais do que eu queria, invadiste o castelo sem aviso prévio, sem bater na porta de entrada. Chegaste devagarinho pelas traseiras, tirando-me o espaço de manobra habitual, quebrando-me a pose, deitando abaixo os muros seguros da minha solidão. Abres-me o espírito, sem me foderes o corpo, implorando a compreensão de quem te conhece pelos gestos simples, das palavras calmas, do sossego e do aconchego do colo, que me sossega a alma e me enlouquece ao mesmo tempo, tirando-me a resistência de quem me segura a mão sem largar, dizendo sem pronunciar "Eu estou aqui!" És apenas o ser que apenas quer ser feliz na calma certa dos dias, onde o caminho se faz passo a passo, sem pressa de chegar, lá onde daremos as mãos. Dás[te] sem te entregares e deixas-me a suspirar para dentro: cala-me, grita-me, seduz-me sem pudor!... Sou[te]!... És[me]!

6 comentários:

Imprópriaparaconsumo disse...

Quando se consegue possuir a alma, o resto é tão simples...
Um beijo minha tonta :D

Eros disse...

Conexões... repletas de nexo!

É com enorme júbilo que constato como essa vida em azáfama constante não te rouba a magistralidade da escrita sentimental.

Um beijo enorme, minha querida amiga!

Horácio Augusto disse...

adorei ,simplesmente soberbo este texto,parabens

Sil Maria disse...

O mais díficil é mesmo possuir a alma...
Mas como diz o ditado: Deus dá nozes a quem não as sabe roer!
;)


beijoka doce tontinha :D

Sil Maria disse...

Todos precisamos de escapes e eu adoro as minhas letras, as palavras, o cheiro que sai delas quando as conjugo... como tudo o que faço na vida... só o excelente me basta!
E muitas vezes nem isso!

Adoro sempre quando passas e deixas o rasto do teu perfume....


Beijoooooo

Sil Maria disse...

Falta pouco para ir buscar uma babete... a baba vai aumentando a cada comentário!
Ainda bem que gostaste!
:))