17.10.13

Foram amantes!

 
Sim, eram perfeitos desconhecidos quando trocaram as primeiras palavras, cruzaram-nas sem darem conta, poetizaram os dias com sorrisos, partilhas, histórias passadas, paralelismos de vida foram encontrados. Vislumbraram as fotos um do outro, imaginaram as curvas mais perto, fizeram cenários, traçaram rotas, colocaram todas as coordenadas dentro do GPS do desejo e deixaram que o resto o universo governasse. Queriam ver-se! Sim, marcaram encontro, a medo, com todo o nervoso de dois adolescentes mesmo já não o sendo. As pernas bambas denunciavam o medo de rejeição. Colocaram o medo de lado, e almoçaram uma refeição puramente normal, como dois amigos de longa data. Os olhares cruzavam-se timidamente, as mãos foram encostando-se devagarinho, os olhares deixaram de ser tímidos, e passaram a ser mais prolongados um dentro do outro. Observavam gestos, confirmavam as borboletas que já sentiam antes. Terminaram o almoço e sairam, queriam ir além do mero olhar... o tocar fazia-se sentir nas expressões dos sorrisos, na vontade de encurtar a distância entre os corpos, e um sussurro quebra toda a timidez, e alavanca uma avalanche de emoções: - quero beijar-te! Ela ficou surpresa, ele insistiu de novo, agora mais perto, fazendo sentir a respiração mais pesada junto ao ouvido dela, deslizou ligeiramente a ponta da língua da orelha à boca, e não sentiu resistência, o sim, estava implícito no permitir do contacto, do toque... continuou, e beijou levemente os lábios, avançou mais um pouco ao sentir a reciprocidade vinda do outro lado.  As bocas perderam-se uma na outra, encontraram um parceiro para dançar, tocando-se cada vez mais sofregamente. As mãos avançaram igualmente, percorriam as saliências desejadas desde que se tinham olhado no primeiro minuto, desde que tinham confirmado que o que sentiam nas palavras também se confirmava pelo olhar. As sensações transformaram-se em memórias, avançaram portões e irromperam desejos adentro, coleccionaram dias, histórias juntos, partilharam segredos, palavras em forma de poema, trocaram gostos, deixaram-se perder entre as curvas dos corpos nus, aumentaram gradualmente a incisão que faziam dentro um do outro. Aprofundaram o sentimento, fizeram-no crescer, sorriram vezes sem conta, descobriram partes de si ainda por explorar, e chegaram ao final com uma amalgama de história para guardar, contadas pelas paredes, pelas camas, por todos os sítios onde desenharam a palavra amor e um dia sobraram apenas as lembranças, onde já não residem!

4 comentários:

interludium disse...

Ups…..
A vida tem destas coisas, e só com o tempo nos permitimos a importa-las das memórias, e lava-las num rio de uma saudade quase inventada e estende-las no cordão da vida, com a esperança que o sol lhes volte a iluminara as cores …
Não residem…. Mas passam de vez em quando na mesma morada….
Ahhhhh o ups….. estava a ler-te, lendo-me, mas numa outra morada….

beij♥
GGT

Sil disse...

Quando a ferida ficou bem curada até se passa lá de vez em quando... são lembranças, apenas lembranças, pedaços de nós perdidos no tempo, presos no limbo da memória.
Espero não te ter provocado nenhuma melancolia pelas lembranças!!!
:))






beijoooooooo em TI
GGT

Pedro M disse...

Sabes, não sei se é possível dizer fomos amantes...
Ainda hoje por vezes sinto numa troca de olhares que somos amantes...

Um beijo

Sil Maria disse...

Acontece...
Beijo