23.7.13

Ao descer do pano...


Seja em linha recta, seja em curvas caminhas em turbulências ancestrais de um tempo que finda e volta sempre por compor os passos arquejantes de uma vareta equilibrista montada em cima de um fio esticado, onde a rede de protecção foi rompida em eras passadas. Rompem-se as paredes internas pelos gritos da voz aguda que estilhaça o cimento, essa camada fina, que me barra o corpo, e que frágil cai, e desmorona perante o frio e a chuva invernal, aquela que estação após estação me lava a alma. Rebentam as ondas de amor próprio em sinuosos tremores como um orgasmo que engole todas as emoções, as que me abraçam de cada vez que os joelhos me vão ao chão. Esse vil cinzento empedrado, que os meus joelhos tão bem conhecem, e me seguram em cada caída, e em cada apoio no meu levanto. E é desse amor intenso que me seguro em frágeis momentos, aqueles em que largo a máscara sincera que carrego por detrás da imensa verdade com que as palavras transpiram em cada poro de vida. Encho as mãos de beijos, e a boca de sorrisos, emoldurando e pintando o caminho de novos rabiscos a preto e branco. E sou, e finjo que sou o que mais não posso ser, andando de pedra em pedra com medo de pisar o solo, e cair na tentação ínfima de cortar a linha ténue que me liga à realidade, aquela que me retalha a língua de tão crua que me parece, como um limão verde. Trinca-se a realidade na expectativa desta nos dar sempre um novo sabor a provar, como se não tivéssemos já na nossa mão a palete de todos os sabores doces e amargos que nos fazem sorrir a alma, ou chorar o ego, de emoção ou comoção, num replay em slow motion, sentido na ponta dos dedos com que percorro cada pedaço de pele, e devoro a vida nela impressa, numa adoração infinita sem precedentes...

2 comentários:

AFRODITE disse...


Normalmente, quando cai o pano ficamos sozinhos, entregues a nós... só nós e a nossa verdade.


Beijos verdadeiros...

Sil disse...

Nem preciso comentar, conheces-me, sabes a minha resposta que aqui fica em silêncio....
:)






Beijo minha deusa