24.9.20
Tateando a vida pela ponta dos dedos!
Fechando levemente os olhos, deixando a melodia suave da vida preencher todos os poros do corpo carregado de memórias. Cantando baixinho a saudade de mim postada num passado que parece longínquo e perdido no emaranhado ser inerte. Levanta-se a vontade de voltar a tatear os caminhos já volvidos e revirados pela alma inquieta, saltitante e alegre. Calço as botas da esperança e atravesso a barreira do tempo, nascem-me asas novas na ponta dos dedos, onde se rasga o corpo fechado e curado de tanto sentir. Canso-me de estar enrolada dentro de mim e volto a abrir os olhos, olho o arco-íris lá fora e parece-me uma nova realidade sonhada e vivida por outra pessoa. As constelações ferem-me os olhos e aos tropeções deixo que o espírito retorne à posição ereta, caminhando e saboreando em goladas fortes as novas cores da vida, qual fénix renascida, bato as asas e deixo para trás as folhas velhas rasuradas de sentires multicolores. Foi ali, foi acolá, que me medi em esgares de esperança, de melancolias saudosas, de tracejados sangrados, que se misturaram com as formas singulares da vida. Foi, assim pela ponta dos dedos que me reinventei de novo no verbo de viver!
22.8.18
Resgatar (me)!
É urgente o resgate de mim!
É urgente abraçar a alma partida, perdida que grita lá no fundo!
É urgente parar, parar para caminhar mais além!
É urgente mudar, mudar com coragem, virar a mesa, partir tudo se assim for o caminho!
É urgente sentir a minha criança que um dia se perdeu de mim!
É urgente sarar as feridas, fechar com ferro em brasa para apenas ficar uma cicatriz ligeira!
É urgente tapar os olhos para voltar a abrir e ver o cor-de-rosa da vida!
É urgente...
Ela vive lá no fundo, no escuro há demasiado tempo, desde um tempo que eu não lembro mais, um tempo que sempre a aprisionou e não deixou viver! É urgente colocar a mochila às costas e saltar cá para fora! É urgente subir as cordas atiradas ao fundo do poço! É urgente (re)começar tudo, absolutamente tudo de novo, partir o velho paradigma que não serve mais, que está cheio de dores, de escuridões que ensombram a criança que habita em mim! É urgente fazer algo que faça o sol voltar a brilhar, a sorrir, a sentir a leveza dos dias como se fossem um simples acto de respirar! É urgente mudar(me)!
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